COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO EFÉSIOS
A igreja em Éfeso parecia ser uma igreja muitíssimo querida por Paulo, isso eu concluo com o que li e meditei na Epístola aos Efésios escrita por ele. Pelo que percebi, aquela igreja parecia ser muito fervorosa na fé em Jesus Cristo; mas o seu conhecimento em Deus havia estagnado e não era muito profundo. As águas do rio do conhecimento de Deus talvez estivessem ainda nos seus tornozelos (ler Ezequiel 47). Creio que esta epístola é especialmente direcionada para pessoas assim: que aceitaram Jesus como Senhor e Salvador , sabem que ele salva, mas não sabem o que é salvação e nem graça.
Efésios 1: 1-6. Estes versículos tratam de assuntos que geram uma certa polêmica no meio evangélico: predestinação; por esta razão não quero me ater a isso, antes quero destacar outras coisas, mas usando as exatas expressões bíblicas para não parecer que eu esteja defendendo alguma doutrina específica.
O que levou Jesus a morrer por nós? Pouco tempo antes de ser preso, Jesus orou ao Pai para que se possível, Deus impedisse que ele sofresse daquela maneira. Jesus completa a oração dizendo: “contudo, que não seja feita a minha vontade, mas a Tua.” (Lucas 22:42). Uma vez Jesus declarou: “sempre faço o que lhe agrada.” (João 8:29), falando isso do Pai. Jesus expressa o desejo de obedecer a Deus, e isto foi uma das coisas que o levou a morrer por nós: cumprir a vontade do Pai. Deus quis entregar Jesus para ser expiação dos nossos peados, e se agradou disso. Isaías escreve: “Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e faze-lo sofrer” (Isaías 53:10-NVI). Agora, o que levou Deus a querer entregar Jesus?
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16 – NVI)
Amor. Deus nos ama e eis a prova:
“Mas Deus demonstra e seu próprio amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” (Romanos 5:8)
Ele nos escolheu, nós, os que cremos , para que esse amor fosse depositado em nós fazendo-nos filhos seus através de Jesus Cristo, de acordo com sua vontade (v.5). E quando ele planejou isto? “Antes da criação do mundo.” (v.4).
Após pecarem, Adão e Eva se esconderam por se envergonharem de estarem nus, o que é conseqüência do pecado, a vergonha, pois Deus estava passando por perto e eles não queriam que Deus os visse nus. Isto mostra que o fato de o pecado nos separar de Deus é algo natural e não é o Criador que faz questão de estarmos afastados por sermos pecadores, antes, ele toma a iniciativa para acabar com esta separação. Para o primeiro casal, “o Senhor Deus fez roupas de pele” (Gênesis 3: 21 – NVI), mostrando que algum animal teve que morrer, ser sacrificado, para que o pecado fosse coberto, mas não tirado. A morte de que Deus falou a Adão que ele teria caso ele comesse do fruto (Gênesis 2:17) veio sobre ele e sobre a mulher que Deus o deu; esta é a morte espiritual (separação espiritual de Deus). E para nós Deus providenciou desde antes desse episódio no Éden (v.4) um sacrifício perfeito, pois além de cobrir os nossos pecados nos livraria deles e passaríamos da morte espiritual para a vida espiritual (proximidade de Deus – ter um relacionamento com Deus). Isto decorre da definição da expressão ”santos e irrepreensíveis em sua presença” contida no versículo 4. Deus sabia das conseqüências do pecado e de que maneira ele afetaria toda humanidade, e como ele nos amou, e amou primeiro, “em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade” (v.5). A morte de que Deus falou em Gênesis 2:17, como já comentei, é a separação espiritual de Deus, que passou para todo a humanidade (ler e Romanos 3:23;5:12-14). Essa separação foi conseqüência do desejo do homem de se tornar independente de Deus e não reconhecer o senhorio de Deus sobre sua vida; sendo assim, nós, humanos, deixamos de ser filhos de Deus através deste estado de indiferença para com o senhor. Mas Ele tomou a iniciativa quando providenciou algo que apagaria os nossos pecados e nos faria estar próximos dele, pois foi segundo “o bom propósito da sua vontade.”
O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo planejou a muito tempo uma vida de santidade (separação do pecado) e sem culpa perto dele, pois só assim é possível se ter um relacionamento com Deus, para dessa maneira nos escolher como filhos adotivos através de Jesus Cristo, o sacrifício perfeito, para assim sua graça (dom de Deus) fosse louvada. A graça é a característica de Deus mais marcante para um cristão. Enviar Jesus para morrer em nosso lugar é um exemplo da graça de Deus; o fato de Ele nos abençoar é outro exemplo da sua graça.
A definição mais conhecida de ‘graça’ é “favor imerecido de Deus”; ou seja, é quando Deus faz algo por nós mesmo sem termos feito alguma coisa para merecer, porque, enfim, não há o que possamos fazer para merecer algo dele.
Deus enviou seu filho, Jesus Cristo, para nos fazer filhos seus, tornando-nos santos e irrepreensíveis em sua presença, nos abençoando com todas as bênçãos espirituais. E isso tudo ele nos concedeu de graça, foi porque ele quis e não porque merecíamos, pois de fato não merecíamos,. Por isso o texto de Efésios 1:3-6 termina: “para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.”
Antes de conhecer as verdades bíblicas, antes de conhecermos o plano de Deus, antes de conhecermos Jesus éramos indiferentes a isso. Muitos de nós estávamos nem aí para o fato de Cristo ter morrido por nós e nem para o que a graça de Deus significa. E agora? Como está a nossa vida depois de conhecermos as “bênçãos espirituais” com que Deus nos abençoou? Agora, imagine quantas pessoas estão no mesmo estado que éramos, indiferentes a vontade de Deus. Imagine quantas pessoas estão nem aí para a vida espiritual.
A graça de Deus além de ser algo imerecido por nós, ela pode alcançar a quem aprouver a Deus, pois a Palavra diz que Ele nos deu gratuitamente em Cristo. Ora, a graça alcança uma pessoa através de Jesus; como pregamos Cristo, damos a possibilidade às pessoas de experimentar da graça de Deus. Não sabemos quantos irão ouvir, não sabemos quantos experimentarão ou quem experimentará, mas vale a pena arriscar para que mais e mais pessoas venham experimentar desta graça.

